Copa do Brasil dos estrangeiros? Gringos comandam semifinal

Abel Ferreira, Pedro Emanuel, Eduardo Domínguez e Luís Castro comandam Palmeiras, Vasco, Atlético-MG e Grêmio na disputa por uma vaga na final
A Copa do Brasil de 2026 ganhou uma característica inédita antes mesmo da definição do campeão. Os quatro semifinalistas da competição são comandados por técnicos estrangeiros, algo que nunca havia acontecido na história do torneio.
Palmeiras, Vasco, Atlético-MG e Grêmio garantiram suas vagas na penúltima fase com quatro treinadores de três nacionalidades diferentes: os portugueses Abel Ferreira, Pedro Emanuel e Luís Castro, além do argentino Eduardo Domínguez.
O cenário coloca novamente em evidência a presença cada vez maior de profissionais estrangeiros no futebol brasileiro. E, entre os quatro semifinalistas, há um nome especialmente familiar ao torcedor do Palmeiras: Abel Ferreira.
Abel Ferreira é o único campeão da Copa do Brasil entre os semifinalistas
O Palmeiras chega à semifinal com o treinador estrangeiro mais longevo atualmente no futebol brasileiro.
Abel Ferreira assumiu o comando do Verdão em 2020 e, desde então, construiu uma das trajetórias mais vitoriosas da história do clube. Entre os títulos conquistados pelo português está justamente a Copa do Brasil de 2020, competição que o Palmeiras venceu sob seu comando.
Isso faz de Abel o único dos quatro treinadores semifinalistas de 2026 que já levantou o troféu da competição.
O português também chega à nova fase depois de conduzir o Palmeiras à classificação sobre o Santos. Após vencer por 3 a 0 no jogo de ida, no Nubank Parque, o Verdão empatou por 0 a 0 na Vila Belmiro e confirmou a vaga na semifinal.
Desta forma, Abel terá pela frente outro treinador estrangeiro: Pedro Emanuel.
Palmeiras x Vasco será duelo entre dois portugueses
A semifinal entre Palmeiras e Vasco terá uma particularidade dentro da própria coincidência.
De um lado estará Abel Ferreira. Do outro, Pedro Emanuel, também português.
O treinador do Vasco conduziu a equipe à semifinal depois de eliminar o Vitória. O Cruzmaltino venceu o primeiro jogo por 1 a 0 e confirmou a classificação com uma vitória por 2 a 0 no Barradão.
Assim, um dos finalistas da Copa do Brasil será obrigatoriamente comandado por um técnico português.
O confronto também colocará frente a frente dois trabalhos construídos em momentos diferentes. Abel está no Palmeiras desde 2020, enquanto Pedro Emanuel representa uma geração mais recente de portugueses que encontraram espaço no futebol brasileiro.
Eduardo Domínguez representa a Argentina na semifinal
Na outra chave, o Atlético-MG será comandado pelo argentino Eduardo Domínguez.
O treinador garantiu a classificação no clássico contra o Cruzeiro. Depois do empate por 1 a 1 no primeiro confronto, o Atlético venceu o rival por 2 a 1 na Arena MRV e avançou para enfrentar o Grêmio.
Domínguez é portanto o único argentino entre os quatro técnicos que ainda disputam o título.
A presença dele também mostra que a influência estrangeira no futebol brasileiro não está restrita aos portugueses. Desde a mudança provocada pela chegada de Jorge Jesus ao Flamengo, profissionais de diferentes países passaram a ocupar cada vez mais espaço nos principais clubes do país.
Luís Castro completa o quarteto estrangeiro
A última vaga ficou com o Grêmio.
O clube gaúcho derrotou o Internacional por 3 a 1 na Arena do Grêmio e garantiu a classificação depois do empate sem gols no primeiro Gre-Nal das quartas de final.
O responsável pela classificação foi outro português: Luís Castro.
Com isso, três dos quatro semifinalistas da Copa do Brasil terão treinadores portugueses. Apenas o Atlético-MG quebra a hegemonia lusitana com Eduardo Domínguez.
O resultado é significativo porque transforma a semifinal em uma espécie de retrato da presença estrangeira no comando dos grandes clubes brasileiros.
A presença estrangeira deixou de ser exceção no futebol brasileiro
A situação da Copa do Brasil não surgiu por acaso.
Nos últimos anos, os clubes brasileiros passaram a recorrer com muito mais frequência a treinadores estrangeiros. O movimento ganhou força principalmente a partir de 2019, com o trabalho de Jorge Jesus no Flamengo.
Um levantamento do Gato Mestre publicado pelo ge em 2025 mostrou que, desde a chegada de Jesus ao Flamengo, 60 das 210 contratações de técnicos feitas por clubes da Série A foram de estrangeiros. Isso representa aproximadamente 29% do total. Entre os brasileiros, o aproveitamento médio era de 47%, enquanto os portugueses apresentavam média de 54%.
A diferença fica ainda mais evidente quando analisados os portugueses. Segundo o mesmo levantamento, os técnicos dessa nacionalidade permaneciam, em média, 254 dias nos clubes da Série A, contra 160 dias dos brasileiros.
Abel Ferreira aparece como o principal exemplo de longevidade.
Palmeiras virou um dos principais símbolos da mudança
A trajetória de Abel ajuda a explicar por que a presença de estrangeiros deixou de ser tratada como novidade no futebol brasileiro.
Quando chegou ao Palmeiras, em 2020, o treinador português ainda precisava conquistar espaço e confiança em um mercado historicamente dominado por profissionais brasileiros.
Seis anos depois, Abel é o técnico mais longevo entre os grandes clubes brasileiros e o maior campeão da história do Palmeiras.
A presença do português na semifinal de 2026 também reforça uma característica do próprio Verdão: o clube mantém há anos a aposta em um modelo de trabalho estrangeiro e deu estabilidade a Abel mesmo durante períodos de maior pressão.
Agora, o treinador tenta conduzir o Palmeiras a mais uma final da Copa do Brasil.
Três portugueses e um argentino: quem chegará à final?
A coincidência pode acabar na próxima fase, mas uma coisa já está garantida: a final da Copa do Brasil de 2026 terá pelo menos um treinador estrangeiro.
Se Palmeiras e Vasco avançarem, a decisão poderá ser disputada por dois portugueses.
Caso um deles chegue à final e enfrente Atlético-MG ou Grêmio, o adversário será comandado por um argentino ou por outro português.
Ou seja, independentemente dos resultados das semifinais, a Copa do Brasil terá um técnico estrangeiro na disputa pelo título.
Mais do que uma curiosidade estatística, o cenário mostra como mudou o perfil dos profissionais escolhidos pelos principais clubes brasileiros.
E, no meio dessa transformação, Abel Ferreira aparece novamente como um dos principais protagonistas.