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31/08/2026 • 09:55

Palmeiras ultrapassa R$2 bilhões em vendas e supera gigantes


Venda de Allan ao Manchester City coloca o Verdão acima de Barcelona e Real Madrid em negociações de jogadores desde 2022/23

O Verdão alcançou uma marca que ajuda a dimensionar a transformação financeira do clube nos últimos anos. Com a venda de Allan ao Manchester City, o Palmeiras ultrapassa R$2 bilhões em vendas com negociações de jogadores desde a temporada 2022/23.

O negócio de Allan, que pode chegar a 40 milhões de euros, cerca de R$ 240 milhões, foi determinante para que o Palmeiras ultrapassasse dois dos maiores clubes do futebol mundial no mesmo recorte: Barcelona e Real Madrid.

Segundo levantamento divulgado pela Agência Estado, o Palmeiras acumulou cerca de 371 milhões de euros em vendas no período. O Barcelona aparece com 342,7 milhões de euros, enquanto o Real Madrid soma 294,5 milhões de euros.

O número chama atenção porque o Palmeiras não está competindo apenas com outros clubes brasileiros. A comparação passou a envolver algumas das instituições mais poderosas do futebol europeu.

Allan foi a peça que fechou a conta

A negociação de Allan com o Manchester City foi responsável por acrescentar cerca de 40 milhões de euros à conta palmeirense no levantamento que considera as vendas desde 2022/23.

O meio-campista, formado nas categorias de base do Palmeiras, seguiu o mesmo caminho de outras Crias da Academia que deixaram o clube por cifras milionárias.

A lista começa com Endrick, negociado com o Real Madrid, e passa por Estêvão, vendido ao Chelsea, e Vitor Reis, também contratado pelo Manchester City.

De acordo com os números divulgados pelo Palmeiras, considerando valores fixos e bônus previstos nos contratos, Endrick foi negociado por até 72 milhões de euros, Estêvão por 61,5 milhões, Allan por 40 milhões e Vitor Reis por 37 milhões. Juntos, os quatro representam 210,5 milhões de euros em negociações.

Isso significa que apenas essas quatro operações representam mais da metade do valor acumulado pelo clube no recorte da Agência Estado.

E existe um detalhe ainda mais importante: três dessas negociações ainda podem render bônus adicionais ao clube caso determinadas metas sejam alcançadas.

Tudo isso contribuiu e muito para cofres do Verdão e assim o Palmeiras ultrapassa R$2 bilhões em vendas.

A base virou uma máquina de gerar receitas

O que torna os números do Palmeiras ainda mais impressionantes é a origem de boa parte do dinheiro.

O clube não precisou construir essa arrecadação apenas por meio da venda de jogadores contratados de outros times. Pelo contrário. A principal fonte das maiores negociações recentes está nas categorias de base.

Endrick, Estêvão, Vitor Reis e Allan foram formados pelo próprio Palmeiras e chegaram ao futebol profissional antes de serem negociados com alguns dos clubes mais ricos do planeta.

O movimento mostra uma mudança importante na lógica financeira do clube.

A Academia de Futebol deixou de ser apenas um mecanismo para revelar jogadores para o elenco profissional. Ela passou a funcionar também como um ativo financeiro, capaz de gerar centenas de milhões de reais em negociações.

O gestor da carreira de Vitor Reis, Cláudio Fiorito, afirmou que o mercado internacional passou a enxergar a base palmeirense com o mesmo respeito dedicado às grandes academias europeias, destacando a combinação de metodologia, tecnologia e tempo de maturação utilizada pelo clube.

Palmeiras também aparece à frente de outros gigantes

O domínio não se limita ao Barcelona e ao Real Madrid.

Outro levantamento, feito pelo UOL com dados do Transfermarkt, analisou as cinco janelas mais recentes, desde o meio de 2024 até o meio de 2026. Nesse período, o Palmeiras arrecadou 282,9 milhões de euros, aproximadamente R$ 1,7 bilhão.

Com esse valor, o clube aparece na 25ª colocação do ranking mundial de vendas, logo abaixo do Porto e imediatamente acima do Milan.

O mais impressionante é a quantidade de gigantes europeus que ficaram para trás nesse recorte.

Manchester United, Juventus, Real Madrid, Barcelona, Bayern de Munique e Arsenal venderam menos jogadores do que o Palmeiras nas cinco janelas analisadas pelo levantamento.

Isso não significa que esses clubes tenham arrecadado menos dinheiro em toda a sua história ou que o Palmeiras possua uma receita maior. A comparação é exclusivamente sobre vendas de jogadores no período analisado.

Ainda assim, é um indicador poderoso da dimensão que o mercado de transferências passou a ter para o Verdão.

Chelsea está muito acima, mas Palmeiras já incomoda

O líder do ranking mundial no recorte mais recente é o Chelsea.

O clube inglês arrecadou impressionantes 742 milhões de euros com vendas de jogadores nas cinco últimas janelas, quase três vezes o valor do Verdão. Aston Villa e Newcastle completam o pódio.

Palmeiras ultrapassa R$2 bilhões em vendas, a diferença mostra que o Palmeiras ainda está distante da capacidade financeira dos grandes clubes da Premier League.

Mas há uma peculiaridade importante nessa comparação.

Enquanto o Chelsea opera dentro do mercado mais rico do futebol mundial e movimenta jogadores em uma escala financeira muito maior, o Palmeiras é o clube não europeu que mais arrecadou com vendas no período.

O segundo colocado entre os clubes de fora da Europa é o Botafogo, com 139,8 milhões de euros. O River Plate aparece em terceiro, com 105,7 milhões. O Palmeiras, portanto, movimentou mais do que o dobro do valor arrecadado pelo Botafogo e quase três vezes o montante do River.

Palmeiras supera até seus principais rivais brasileiros

Quando a comparação volta para o futebol brasileiro, a diferença fica ainda maior.

No mesmo levantamento das cinco últimas janelas, Palmeiras ultrapassa R$2 bilhões em vendas, ou seja, acumulou 282,9 milhões de euros em vendas. O Flamengo aparece com 98,2 milhões, enquanto o Santos soma 62,5 milhões.

Ou seja, o Palmeiras arrecadou quase três vezes mais que o Flamengo e mais de quatro vezes o valor obtido pelo Santos no mesmo período.

A distância ajuda a explicar por que o clube conseguiu estabelecer uma capacidade de investimento diferente da maioria dos concorrentes brasileiros.

O dinheiro das vendas permite ao Palmeiras reforçar o elenco, manter jogadores importantes por mais tempo e, ao mesmo tempo, continuar investindo na formação de novos atletas.

É um ciclo que se retroalimenta.

De Endrick a Allan: Palmeiras criou uma sequência

O mais relevante talvez seja perceber que o resultado não depende de uma única venda extraordinária.

Endrick foi um negócio gigantesco. Estêvão também. Vitor Reis chamou a atenção do Manchester City. Allan repetiu o caminho.

E antes deles já existiam outras negociações importantes envolvendo jogadores formados pelo clube.

Segundo levantamento do próprio Palmeiras, 18 das 27 vendas diretas realizadas nos últimos cinco anos foram de Crias da Academia, o equivalente a 66% das operações. Além disso, as cinco maiores vendas do período são justamente de jogadores formados pelo clube: Endrick, Estêvão, Allan, Vitor Reis e Luis Guilherme.

Isso muda a interpretação dos números.

O Palmeiras não está simplesmente aproveitando uma geração excepcional de jogadores. O clube construiu uma estrutura que aumenta a possibilidade de repetir esse tipo de negócio.

A venda de jogadores virou uma das maiores forças do Palmeiras

O Palmeiras ainda não arrecada com transferências no mesmo nível dos gigantes ingleses que dominam o mercado europeu.

Mas a comparação com Barcelona, Real Madrid, Bayern, Arsenal, Manchester United e Juventus mostra que o clube atingiu um patamar incomum para uma equipe sul-americana.

Em um intervalo de apenas alguns anos, o Palmeiras passou a vender jogadores por valores que rivalizam com os negócios realizados por algumas das maiores instituições do planeta.

E o mais importante é que boa parte desse dinheiro nasceu dentro da própria Academia de Futebol.

Endrick, Estêvão, Vitor Reis e Allan não foram apenas grandes negócios. Eles representam uma estratégia que transformou a formação de jogadores em uma das principais fontes de receita do Palmeiras.

A marca de R$ 2 bilhões em vendas desde 2022/23 é, portanto, mais do que um número impressionante.

É o retrato de um Palmeiras que aprendeu a transformar talento em patrimônio — e patrimônio em poder competitivo.



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